quarta-feira, 11 de junho de 2025

A Arte que Brota do Sertão: Resistência, Poesia e Esperança

Por Fernando Inácio

Em cada esquina de Cajazeiras há um gesto artístico guardado. Pode ser o aboio do vaqueiro que acorda o dia, o bordado firme da rendeira que enfeita a alma ou a zabumba que anuncia a chegada de junho — esse tempo tão nosso, onde a fé dança com a tradição.

A arte nordestina, tão marcada pela resistência, floresce mesmo na seca, mesmo na dor. E é nessa terra rachada de sol que brotam as mais belas histórias, cheias de humanidade, poesia e vida. É aqui que o barro vira santo, a madeira vira sanfona e o povo vira poesia.

Desde os meus 12 anos, quando descobri o palco como morada, venho tentando traduzir esse sentimento sertanejo em arte. Seja com o teatro, o circo, a dança ou a literatura, minha missão é uma só: contar as histórias do nosso povo com a verdade de quem vive com o coração fincado no chão da caatinga.

Não se trata apenas de cultura, mas de identidade. Quando um menino se vê em um personagem da feira, quando uma menina se reconhece na figura da lavadeira, é aí que a arte cumpre seu papel. E por isso sigo, com os pés no sertão e os sonhos nas estrelas, acreditando que a cultura é a arma mais bonita que o povo tem.

Este blog é mais um cantinho onde deixo minhas pegadas, meus registros e meus sonhos. Aqui, compartilho memórias, projetos, reflexões e, principalmente, o amor por essa terra que me fez artista — e me faz, todos os dias, sertanejo.


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