Jukinha: um novo canto para o Nordeste
Por Fernando Inácio
O sertão é feito de vozes. Algumas sussurram entre as folhas secas da caatinga, outras gritam em forma de aboio, de repente, de repente, surge uma voz que abraça o Nordeste inteiro. Essa voz é de Jukinha, artista inquieto, criador de sons, palavras e afetos. Agora, ele chega com um novo trabalho que é, antes de tudo, um manifesto de amor ao seu chão.
Seu novo projeto — ainda guardado como joia rara, mas já vibrando nas entranhas da música autoral — mergulha fundo na alma nordestina. Traz ritmos que dançam entre o forró raiz e a modernidade dos sintetizadores, sem nunca abandonar o cheiro de terra molhada e o som do tamborete arrastando na calçada. Jukinha canta o que vive, vive o que canta, e transforma cada música em retrato de um povo que resiste com alegria.
Neste novo momento, ele vai além da melodia: constrói narrativas, denuncia silêncios, valoriza personagens anônimos do sertão — o feirante, o vaqueiro, a rendeira, o sanfoneiro — e faz da arte um território de memória e pertencimento. É como se ele dissesse: “O Nordeste é poesia que respira, e eu sou só mais um cantador nessa travessia”.
O trabalho de Jukinha é sertão com sede de futuro. Traz crítica social, mas também esperança. Mostra que a cultura popular não está no passado, mas pulsando no presente, viva, forte, reinventada.
Aguardamos o lançamento como quem espera a primeira chuva do inverno: com ansiedade, fé e certeza de que vai brotar coisa boa. Porque quando um artista como Jukinha se propõe a cantar o Nordeste, o que nasce é mais que música — é resistência, é beleza, é raiz.




